19.11.09
IV Edição da Sala Caatinga Cerrado na ExpoSustentat
Agricultura Familiar, Sociobiodiversidade e Parcerias com Empresas
Luiz Carlos Rebelatto dos Santos
A IV edição da Sala Caatinga Cerrado na ExpoSustentat 2009 foi marcada por novidades. Com o tema: Agricultura Familiar, Sociobiodiversidade e Parcerias com Empresas, ela destacou a cadeia produtiva do Babaçu, contou com a presença do setor empresarial e deu ênfase ao trabalho das redes de comercialização dos dois biomas, além de estar presente na programação oficial e ter promovido um coquetel de produtos da sociobiodiversidade.
Nos 200 m2 de Sala, foram 20 empreendimentos e 2 redes de agricultores familiares e 2 empresas que representaram 14 estados do Brasil (BA; CE; DF; GO; MA; MG; MS; MT; PB; PE; PI; RN; SP e TO) e beneficiaram diretamente 7 mil famílias (associadas) e, indiretamente, 20 mil famílias. Os principais produtos apresentados foram: Babaçu e derivados; licuri e derivados; frutas tropicais e nativas; sucos e picolés; castanha de caju; mel; café; grãos orgânicos; coco macaúba e derivados e artesanato elaborado com fibras, couro e processos naturais.

Estande da Coopercuc na Sala Caatinga Cerrado
Em relação à comercialização, foi realizado um levantamento preliminar durante a feira, o qual 6 coexpositores responderam que cerca de R$ 330 mil em negócios estão fechados e em andamento. Os números exatos e de todos os co-expositores serão identificados em breve e mensalmente atualizados pelos consultores de comercialização da Sala. Para se ter uma idéia da edição de 2008, a Sala Caatinga Cerrado propiciou mais de R$ 1,7 milhão em negócios efetivos.
Para o aprimoramento da participação dos empreendimentos na Sala, a IV edição promoveu mudanças no processo de preparação. Neste ano, a Caatinga Cerrado contou com o trabalho de um GT de comercialização que organizou uma metodologia de acompanhamento à distância e in loco dos empreendimentos e um portfólio para ser levado à feira a fim de contribuir nas negociações com os clientes. Além disso, foi realizada uma reunião com todos os co-expositores um dia antes da ExpoSustentat para passar as últimas informações e promover um intercâmbio inicial e organizadas, em conjunto com a Sala Andes Amazônia, visitas comerciais guiadas à empresas como Natura (cosméticos), Cariri e Mundaréu (artesanato), Sabor Natural (loja e delivery de orgânicos) e à Zona Cerealista de São Paulo. Acredita-se que, com estas ações, os resultados comerciais serão ainda melhores e mais sustentáveis que em 2008.
O Babaçu (Orbignya phalerata) foi um dos destaques da Sala por ser uma das cadeias priorizadas pelo Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade. Juntamente com a castanha do Brasil, são os produtos florestais não-madeireiros de maior importância socioeconômica no Brasil, pois envolvem cerca de 500 mil famílias e geram negócios em torno de R$ 160 milhões ao ano. O Babaçu esteve presente em todos os materiais da Sala como banners; fotos; catálogo; calendário e site além da “Ilha do Babaçu” – espaço específico destinado ao produto, onde dois empreendimentos co-expositores estiveram presentes: Babaçu Livre – Cooperativa dos Produtores Agroextrativistas e Quebradeiras de Coco Babaçu (Maranhão) e Associação de Mulheres Rurais do Sítio Macaúba (Ceará).

Ilha do Babaçu e as expositoras Sra. Maria e Maria Katiana
Em relação às parcerias com empresas, a Sala Caatinga Cerrado promoveu a participação da Associação Brasileira das Indústrias de Sorvetes (ABIS) e da Atrium Ingredients Business, as quais possuem uma importante parceria (PSE) com 12 redes de agricultores familiares, sendo 10 delas da Caatinga e do Cerrado e com a GTZ que beneficia 2.200 famílias. Foram distribuídos 4.500 picolés nos sabores: cupuaçu; coco; açaí; açaí com banana e açaí com leite e mais de 3.000 copos de suco de açaí com guaraná e banana; cupuaçu; maracujá selvagem e laranja com camu-camu, todos elaborados com polpas de frutas nativas e tropicais da agricultura familiar participantes da parceria.
Sem dúvida, a participação das empresas foi uma das maiores atrações da Sala. Além de distribuídos no próprio estande, os picolés e sucos “participaram” do coquetel da sociobiodiversidade e da Sala VIP (foto ao lado) e foram tema das apresentações do painel na programação oficial.

Sr. Behr e Sr. Schmitt – Cônsul Geral e Cônsul Adjunto da
Alemanha em São Paulo saboreando o picolé da ABIS.
A parceria também participou de rodadas de negócio na feira e de uma reunião com o MDA e o MMA para debater ações conjuntas em torno do Plano Nacional da Sociobiodiversidade.
Outra ação conjunta da Sala Caatinga Cerrado com a Sala Andes Amazônia foi a organização e realização do painel temático Plataformas e parcerias entre empresas, agricultura familiar e setor público para o uso sustentável da Sociobiodiversidade que integrou a programação oficial da feira. O objetivo foi de mostrar aos empresários e gestores públicos exemplos concretos de parcerias para o desenvolvimento sustentável entre empresas e agricultores familiares. O evento contou com a apresentação da Unctad e da OTCA e de 3 parcerias, sendo 2 ligadas à Sala Andes Amazônia e 1 à Sala Caatinga Cerrado. Falaram pela ABIS o Sr. Tavares, pela Atrium o Sr. Clauber Mendonça e pelas redes da Caatinga Cerrado a Sra. Valda Aroucha. Este painel contou com a moderação de Bia Costa do Planeta Orgânico e, como debatedor, o Sr. Arnoldo Campos do MDA que destacou os pontos principais de todas as apresentações e ponderou sobre o importante papel do governo na dinamização das parcerias para a geração de renda, a agregação de valor e o desenvolvimento sustentável.
Após o painel, as Salas ofereceram um coquetel para cerca de 250 pessoas elaborado com produtos da sociobiodiversidade dos seus co-expositores. Destaque para o palmito e o açaí do Reca, o baru da Central do Cerrado, o óleo de licuri da Coopes, a castanha de caju da Coopapi, o chocolate da Kallari, o café da Apoms, os picolés da ABIS e os sucos da Atrium.
Outro merecido destaque diz respeito à presença de pessoas importantes na Sala que, além de provarem os sabores da Caatinga e do Cerrado, reconheceram o importante trabalho que está sendo desenvolvido e apresentaram algumas perspectivas de futuros apoios e parcerias. Citamos: Gilberto Carvalho – Chefe do Gabinete Pessoal do Presidente Lula; Heiz Peter Behr – Cônsul Geral da Alemanha em São Paulo; Thomas Schmitt – Cônsul Geral Adjunto da Alemanha em São Paulo; Frank Venjakob – Nuremberg Global Fairs; Ligia Amorim e Petra Wolf – Nuremberg Messe; Joe Valle – Secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do MCT; Paulo Alvim – Gerente de Agronegócios do Sebrae Nacional; Arnoldo Campos – Diretor do Departamento de Geração de Renda e Agregação de Valor da Secretaria de Agricultura Familiar do MDA; Cláudia Calorio – Diretora de Extrativismo do MMA; Bia e Rosina – Diretoras do Planeta Orgânico (organizadoras das feiras) e Helmut Eger e Horst Steiger da GTZ.
Por fim, cabe citar algumas inovações da ExpoSustentat 2009. Para consolidar a presença dos principais biomas brasileiros, este foi o primeiro ano da Sala Mata Atlântica. A fim imprimir uma importância mais forte do segmento da moda, esteve presente o Projeto Talentos do Brasil que, coordenado pelo MDA e com apoio da GTZ, objetiva inserir grupos de mulheres agricultoras familiares neste mercado. Além das “novas Salas”, as temáticas da alimentação escolar com enfoque para a aquisição de produtos da Agricultura Familiar e também orgânicos e a “Copa Verde”, que pretende ser uma plataforma interinstitucional para garantir que a Copa do Mundo de Futebol de 2014 no Brasil seja a primeira a promover os produtos orgânicos, da sociobiodiversidade e da Agricultura Familiar, foram destaques.




















